Mitologia das Cachoeiras dos Dragões

Para saber mais sobre o turismo nas Cachoeiras dos Dragões, que fica na área pertencente ao Eisho-ji, visite o site: cachoeirasdosdragoes.blogspot.com ou escreva para cachoeirasdosdragoes@gmail.com

 


 

Estes Cinco Elementos, aliás, Quatro Deuses, já são o Dragão Azul que corresponde à árvore. A madeira não é um elemento como os quatro elementos dos gregos ou dos hindus, mas foi assim. A árvore cresce com a água, por isso a mãe da madeira é a tartaruga que representa a água. E a madeira queimando dá o elemento fogo, o fogo deixa a cinza que é o elemento terra. É um pouco forçado mas é a terra, onde existem as árvores, e dentro dessa terra se pode extrair os metais ou pedras. Onde existe pedra, existe água, como se pode constatar em Minas Gerais, onde temos águas minerais. Pirenópolis também possui essa característica. Muita pedra, portanto, muita água. A árvore tem que crescer para pegar isso. A mitologia dos Quatro Deuses traz quatro animais para seu simbolismo. Dentro da terra está a flor. Cada animal nos quatro pontos cardeais têm certas explicações.

O dragão na verdade não existe, somente na imaginação. Essa imaginação do dragão é a transformação, na realidade. No treinamento Zen, a pessoa entra como peixe, carpa, aí tem uma cachoeira. Não é uma simples cascata. Tem três camadas. Se a carpa, subindo a cachoeira com toda a força, batendo a cauda, conseguir passar pelas três camadas, se transforma em dragão. Entrou no portão e as ondas estão muito altas, ou a cachoeira é muito alta. Começa depois disso a sumir. Essa provação tem muitas dificuldades, fora dos limites do nosso corpo físico. O que segura tudo é a energia do espírito. A força de vontade. Então o mosteiro tem que ter esse tipo de treinamento. Colocando dificuldades absurdas. As pessoas com isso caem fora, perdendo. Quem fica ali é sobrevivente. Isso também é simbolizado como bosque de sândalo, a árvore do sândalo. Porque o sândalo, desde que nasce brotinho, quando tem apenas duas folhas, já possui perfume. Então isso é seleção, escolha. O mosteiro é isso. Por isso o mosteiro também se chama de o lugar onde se seleciona Budas, como faz o leão. O filhote do leão nasce, a mãe chuta o filhote para o vale. Aí o filhote sobe com todas dificuldades até em cima novamente. A mão ou pai chuta de novo para cair no vale. O filhote desesperado novamente sobe. Aí a mãe tenta chutar mais uma vez, mas o filhote já se defende e solta o rugido do leão. Aí a mãe aceita: “Isso vale, você é bom.” Desde filhote ele já é o rei da selva.

Essa é a educação do treinamento Zen, muito dura, esquisita, não é só intelectual, tem que passar. A teoria não tem nada a ver com o cotidiano do mosteiro. O dragão na verdade é o caos, a transformação. Dentro do caos não se sabe o que está por vir, não como um funcionário público, fazendo um projeto vai acontecer tal e tal. Nunca vai acontecer. Dentro do caos tem tudo aquilo, surge a auto-realização, aberta, com a energia de cada pessoa. O caos são as nuvens. Então se o dragão está escondido na água primeiro e se começar nas nuvens, isso é como o avião, subindo para os céus. O dragão pode corresponder ao mal, mas transforma tudo para o bem. E quando resolve o mal, então o bem também é forte igualmente. Esse é o símbolo do dragão. Transformação. O peixe se transforma em dragão. Uma pessoa aparentemente tendo a mesma cara, mas dentro de três meses, de três dias já é uma outra figura. Essa é a idéia mitológica do dragão.

Tem uma história de um reverendo de um grande mosteiro que queria pintar a imagem do dragão, pediu a um artista famoso que pintasse. O pintor disse, “Não posso pintar porque nunca vi um dragão. Como poderia conseguir?” “Nesse caso, sente-se no salão (o templo estava vazio) e medite. Medite e imagine um dragão.” Aí o pintor começou a sentar, meditar, fazer zazen, dias e dias. Não buscando, só meditando. Aí um dia chegou o dragão vivo. Aí ele pediu balde, tinta, aquele pincel do tamanho de uma vassoura. Carregando tudo isso, começou a pintar. Porque ele havia se tornado um dragão. Aí pronto. Colocou a pintura no teto. Mas ele disse, “Faltou uma coisa. A pupila do olho do dragão.” Pegando um pequeno pincel, o arrojou ao teto. Acertou dentro do olho, na pupila. Aí o dragão saiu voando, desapareceu no céu. Essas são histórias do dragão.

Agora o fênix. Temos aquela história das lágrimas do fênix, que podem curar as doenças, e que ele se queima eventualmente e renasce das próprias cinzas. É imortal, nunca morre.

Depois vem o tigre branco. O tigre tem aquelas listas amarelo e pretas. Mas o que significa branco? Velho e autêntico, verdadeiro, infinito, porque mudando de cor, quer dizer uma coisa de sábios.

E a tartaruga. No Brasil se considera que ela vive 10.000 anos. No símbolo ela é mostrada enrolada com a serpente. A serpente já é o símbolo da medicina no Ocidente. Vamos parar por aqui.

Quero acrescentar um pouquinho mais. Para nós na Medicina Chinesa, o órgão de Fígado é o órgão chamado de general. Isso nada tem a ver com a ciência. É muito literatura. Muito romântico e muito simbólico. O órgão do Fígado é o órgão do general. Por que? O general tem que ter aquela sabedoria, aquela coragem, aquela autoridade e tudo o mais. Então no momento da guerra, ele tem que mandar os três tipos de forças, mas tem que ser muito frio. Não colocando as suas emoções pessoais. Com raiva pode perder as decisões chamadas corretas, no momento certo ou direção certa. Portanto o Fígado tem que estar bem. Se o Fígado está bem, ele está certo. E com inteligência, funciona cem por cento. Senão tiver coragem, com o Fígado fraco, não tem coragem. Pensa muito e não pode chegar à decisão certa no momento certo. É a função do Fígado. Por isso é o órgão do general. Montando cavalo, grita com raiva, quando grita o órgão está doente. A função do comando está ligada com o órgão Fígado.

Pergunta: E quanto à insônia, o que se faz quanto a ela? 

Resposta: A insônia tem várias causas diferentes, mas uma delas é ligada ao Fígado. O Fígado como falei, é o depósito do Sangue, mas durante o dia ele trabalha tanto nos músculos quanto no cérebro, quando o Fígado está fraco, tem muitas preocupações, então o Sangue não retorna para o Fígado à noite, como deveria. Então o Sangue fica no cérebro e fica pensando, não consegue dormir. Essa é uma das razões. Tem outras razões para insônia. Problema de Rim, problema de Coração, outras causas de insônia, cada fórmula de ervas na Medicina Chinesa e cada ponto de acupuntura são diferentes para cada causa. Para tratar da dor de cabeça é a mesma coisa.

Pergunta: Todos esperam muito de um general, é um tipo superhomem, quando quebra aquela imagem do superhomem como se lida com essa situação?

Resposta: Tem cinco qualidades do general também, juntamente com os Cinco Elementos. Tudo é os Cinco Elementos. Eu falei três ou quatro. Sabedoria, amor (nin de nonindo é o amor universal), coragem (não pensar em suas medalhas mas na vida dos soldados, com contato e conversa com soldados, como está passando, que está precisando), autoridade (não quer dizer autoritário, naturalmente tem autoridade. As pessoas respeitam, até têm medo, mas gostam dele, têm orgulho do contato com ele), heróico. Então se pode ver o que está faltando a si naquele momento. Mas eu respondo da seguinte maneira a essa questão: Quando tem expectativa, fica com medo. Então fique na sua. Você simplesmente mostra que é assim mesmo. O ponto fraco é simplesmente o ponto fraco. Mas o ponto fraco podes ser parte positiva. Mostrando sua fraqueza com sua família, sentimental, isso é típico de uma pessoa comum, normal, muitas pessoas gostam de ver essas coisas, puxa, não é aquela mitologia perfeita, ela é pessoa também. Não precisa sempre ser melão, às vezes pode ser tomate ou repolho, por que não? Surge algo, assustador, um choque, e agora? Não entra nessa, aconteceu. Aí sim, o negativo se transforma no positivo, então precisa de tempo, paciência. Isso é algo de bom. Então se sente tão protegido, tão protegido, com confiança. Quando perde, pergunta, e agora? Não é só querendo, nossa parte faz tudo que puder e fora isso, além do controle, aí vem a resposta naturalmente. Tudo que acontece é positivo, além do controle, algo divino está fazendo o trabalho.

CACHOEIRA DOS DRAGÕES 

Em primeiro lugar, Ryumon, o portão do dragão, que é a primeira das cachoeiras. No Shobogenzo-Zuimonki está dito: “Existe um lugar no oceano onde está o portão do dragão, que é quando o peixe, em geral uma carpa, ao chegar a tal lugar onde as ondas são muito altas. Como uma cascata de três camadas. O peixe começa a subir. Mas como são três camadas, não consegue subir e no meio da ascensão cai, tomba. Tenta de novo mas cai, caindo, caindo, mas alguns peixes conseguem subir tudo isso. E a mitologia diz: Nesse momento, quando se consegue passar tudo isso, o peixe se transforma em dragão.” Portanto, essa cachoeira, portão do dragão, é a entrada do dragão. Esse lugar corresponde ao Mosteiro Zen. O treinamento é muito árduo, muitos não conseguem passar, caem fora. Quem conseguiu ficar lá, no ango de três meses, um ano, dois, três anos, esse monge, praticante Zen, se transforma em um dragão, monge Zen verdadeiro e não depende de saber muitas coisas sobre o Dharma, não precisa falar como uma cascata e não depende se já leu o Tripitaka ou todos os sutras Budistas três vezes, isso para monge Zen não quer dizer nada mas apesar de tudo, aparentemente você é a mesma pessoa, tem a mesma cara mas algo está totalmente mudado. Essa transformação é um símbolo do dragão como falei anteriormente, caos, quer dizer, questão de vida e morte, perigos, riscos, quem passar isso conseguiu sua auto-realização. Entretanto não é controlado. Ninguém sabe o que vai acontecer. Todas as dificuldades, fora dos limites físicos e espirituais. Quem quer experimentar pode entrar nesse lugar. Mas as pessoas não sabem nada disso e pensam que você ainda está lá naquela parte da água e parado com a represa, tirando a água fora querendo pegar esse peixe, carpa, no fundo da água, mas imagine, esse peixe já se transformou em um dragão e subiu para os céus. Essa é a imagem do dragão, do portão do dragão. A pessoa para tentar entrar nesse portão, tem uma certa maneira, porque se a pessoa entrar, não tem mais regresso para trás. E entrega seu corpo e mente ao que ocorrer no mosteiro.

A segunda é a cachoeira do dragão azul. O dragão azul está no símbolo dos Quatro Deuses de Shishin. Esse dragão azul está morando no fundo das águas onde ninguém pode sondar tal profundidade. As pessoas estão querendo chegar até lá, tem que descer até essa profundidade. Coloquei esse nome porque a cachoeira do dragão tem camadas de pedra, como um penhasco, então o livro Zen do Hekigan “Crônicas do Penhasco Azul” fala do sofrimento, que duro, não contar a ninguém sobre essa dureza, porque ninguém vai entender, apenas aqueles que por isso passaram. Então com a prática do Zen às vezes tem que entrar na caverna do dragão azul arriscando sua própria vida. É isso aí. O mosteiro hoje em dia está um pouco relaxado, mas o sesshin, o kyosaku é isso e experimenta seus limites, tanto físicos quanto espirituais. Mas com o tempo de treinamento a capacidade vai crescendo cada vez mais. É o treinamento: quanto mais treina, tanto mais a capacidade cresce. O Dragão Azul.

A terceira cachoeira é a Pérola do Dragão: Essa Pérola do Dragão pode-se imaginar: Dizem que o dragão está guardando uma pérola preciosa, negra, rara, dentro de suas mandíbulas. Isso simboliza que essa pérola tem algo de precioso, não tem preço, como a natureza de Buda. Para conseguir pegar essa pérola, você tem que arriscar sua vida, como o rabo do tigre, se pisar ali, ou se você montar um tigre correndo, tem que segurar bem senão cai e morre. E assim a pérola do dragão é a mesma coisa, embaixo da mandíbula do dragão, as escamas são dispostas ao contrário do resto do corpo. Quando a pessoa toca nessa região de escamas ao contrário, o dragão fica com raiva, porque aquele lugar é proibido. E para tirar essa pérola, tem tocar essa parte, muito perigoso, uma questão de vida e morte. A terceira cachoeira da Pérola do Dragão, as águas ali são muito profundas e não se pode enxergar o fundo, mesmo mergulhando. Essa é a imagem da Pérola do Dragão.

Passando para a quarta cachoeira. A cachoeira das Nuvens do Dragão. Se a pessoa conseguiu pegar essa pérola do dragão, aparecem muitas nuvens e o dragão sai da água, pega essas nuvens e começa a subir para os céus. Essa é a quarta. As nuvens de certo modo também são o caos. Nada controlado, nada preparado. Ninguém sabe o que acontece. Com essa situação você consegue a auto-realização. Nuvens do Dragão.

Passando isso se chega à cachoeira do Dragão Verdadeiro. O livro de Mestre Dogen, Fukanzazengi, manual de zazen, prática de meditação universal, fala de uma história. Tinha um senhor chamado Seirioku, que era como um lord, um senhor. Ele gostava muito de dragões, era maníaco de dragões, desenhos de dragões, potes com forma de dragões, ou roupas com desenhos de dragões, qualquer coisa sobre dragões, colecionava. Um dia, sabendo disso, o dragão ficou muito contente, por que não cumprimentá-lo? Assim o dragão resolveu descer dos céus, visitar a casa dele e tocou a janela com seu rabo. Toc, toc. Quem é? Olhou pela janela, quem é? Abriu a janela. Aí viu a cara do dragão verdadeiro. E nesse momento Seirioku desmaiou. Quer dizer, muita gente fala, fala, fala sobre o Zen, aquelas histórias sobre koans, dokusan, como coisas engraçadas e se auto-propalando como professores de Zen ou do Dharma, mas isso tudo é mentira, como desenho, escultura, imitando o dragão. Mas um dia aparece o dragão verdadeiro, como pode imaginar, não tem nada a ver com aquilo que falava. Desmaiou. Isso realmente acontece. A gente diz que isso é Zen de salão de chá, eu digo que é Zen de papparazzi, aquelas pessoas que através da internet, ou email, despacham mensagens para duzentas, trezentas pessoas ao mesmo tempo, recebendo respostas e perguntas. Respondendo o que ele pensa ou aprendeu algures em livros Zen, ou sutra do Dharma, falando com se fosse professor. Pode ser professor, mas não é monge Zen nem mestre, claro, é tudo imitação, mentira. Quando aparece o verdadeiro dragão mostrando sua cara, assusta, querendo explicar, justificar, quanto mais explica, justifica, pior. Porque não aceita esse susto calado. Não tem força nenhuma. Aí está perdido, mas não percebe que está perdido, continua agindo, mas é tudo mentira. Essa é a imagem do Dragão Verdadeiro.

Agora é o sexto. O sexto é a cachoeira maior de todas, com uma queda de cinqüenta e cinco metros, e se chama Dragão Voador. O Dragão Verdadeiro corresponde à matriz de nossa escola, Eihei-ji, foi fundada por Mestre Dogen. Nós temos uma outra matriz, Soji-ji, fundada por Keizan Zenji. Então Soji-ji tem uma revista de mosteiro, como a nossa “Flor do Vazio” que se chama “Dragão Voador”. Essa é alta, larga, como se fosse um dragão abrindo as asas, subindo para os céus.

A sétima cachoeira se chama Dragão do Céu. Tenryu. Ten é céu, ryu é dragão. Já está realizado, saindo do mosteiro, começa a trabalhar com toda a força.

A oitava pode ser a cachoeira Rei do Dragão. Onde ficam os urubus-rei no terreno: Pegando esse “rei” do urubu-rei. Cachoeira do Rei dos Dragões, porque tem muitas quedas separadas no mesmo lugar. Fica em cima do Dragão Voador. Todo dia de manhã no mosteiro ou templo Budista Zen, se canta um sutra para a cozinha. No final nós temos um mantra, com os oito reis dos dragões, nanda-ryu, batsunanda-ryu, shakara-ryu, watsukiti-ryu, tokushaku-ryu, anabata-ryu, manashi-ryu, uhara-ryu. Este ryu é o rei dos dragões. Existem países com muitas pessoas. Então ele dirige essa família. Esse é o grande Rei do Dragão e representa os guardiões do mosteiro. Defendem o Dharma para que o mosteiro permaneça funcionando bem. Em todo o caso, o dragão corresponde à ligação com a água, fogo, terra, com energia fora do comum. É isso o que representam esses oito nomes acima, são nomes sânscritos e o ryu é chinês, Rei dos Dragões. Muitos dragões. Tem ainda outros nomes de dragões. Ryu em sânscrito é Naga. Como Nagarjuna. Dragão. Quer dizer aquela pessoa treinada, realizada, fora do comum. Aí o mosteiro é a montanha dos dragões e fênix, somente dragões e fênixes podem morar ali. A fênix tem que estudar muito mais. Um dia vou contar.

Esqueci uma coisa sobre os dragões. No dia 28 de cada mês nós temos, depois do término do sesshin de uma semana, no dia 27, nós visitamos a nascente aí cantamos sutras, geralmente o daihishin darani. Depois volta. Depois do sesshin é dia de descanso, shikunichi ou hosan, nós fazemos uma grande festa, preparamos comida e tomamos um pouco de sakê, água da sabedoria, mas no dia 28 de outubro é a grande festa de todos os dragões. Então nesse dia todos os monges vão visitar a nascente, todo mundo canta sutra e nesse dia acontece um grande festival de monges. Praticantes não entram, somente monges que passaram por um ango e fazem festa. Cantam, dançam, se fantasiam, cada loucura fazem. Quem treina mais duro é mais forte, pode fazer mais loucuras, senão, se tem vergonha não faz nada então sai fora.

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